O Espírito Santo embarcou 519 mil sacas de café em abril de 2026, alta de 12% em relação a março. É o segundo maior volume registrado no mês desde 2015, segundo o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV). No acumulado do ano, as exportações chegam a 1,4 milhão de sacas, crescimento de 70% sobre o mesmo período de 2025.
O resultado é quase inteiramente puxado pelo conilon. Foram 445 mil sacas embarcadas em abril, alta de 35% sobre março e de 444% sobre abril de 2025. A explicação está na safra. A Conab estima produção de 14,2 milhões de sacas no ES em 2026, crescimento de 43,8% sobre 2024. Com a nova colheita se aproximando, importadores anteciparam compras para aproveitar os preços ainda competitivos do conilon.
O problema é que volume e receita não andaram juntos. A receita total de abril foi de US$ 121 milhões, apenas 1% acima de março. O estado exportou 12% mais sacas e recebeu praticamente o mesmo valor.
O preço médio do café exportado pelo ES vem caindo de forma consistente desde dezembro de 2025, quando estava em US$ 305 por saca. Em abril de 2026, chegou a US$ 234, queda de 23% em cinco meses e o menor nível dos últimos 12 meses. Em comparação com abril de 2025, quando a média era de US$ 438, a retração chega a 47%.
O conilon concentra o impacto. A espécie fechou abril a US$ 221 por saca, ante US$ 342 em abril do ano passado, recuo de 35%. O arábica segue mais firme, a US$ 373 por saca em abril, sustentado pela bienalidade negativa (ciclo natural de menor produção da espécie em anos alternados) que reduziu a oferta em 2026. O solúvel cedeu 21% em receita no acumulado do ano.
No consolidado de janeiro a abril, a receita total somou US$ 298 milhões, alta de 26% sobre o mesmo período de 2025. O conilon respondeu por US$ 209 milhões desse total, crescimento de 75% em receita, sustentado exclusivamente pelo volume. O arábica recuou 13% e o solúvel caiu 46%. Nos últimos 12 meses, o ES exportou 4,8 milhões de sacas, abaixo das 6,6 milhões do ciclo anterior, reflexo do ano de baixa oferta de conilon que ficou para trás.
A geografia dos destinos mostra diversificação. Em abril, o Reino Unido liderou com 15,6% do volume, seguido por Bélgica, México, Colômbia e Itália. No acumulado do ano, a Colômbia aparece na ponta com 14,3%. O dado é relevante: o país compra conilon capixaba para blends e reexportação, funcionando como hub de distribuição regional.
Em perspectiva mais longa, a mudança mais expressiva na demanda é a perda de peso dos Estados Unidos. Os americanos, que absorviam 24% das exportações capixabas entre 2007 e 2016, representam hoje 12% do total. Reino Unido, Indonésia, Espanha e Colômbia ocuparam esse espaço na última década.
O quadro que os dados de abril revelam que o ES exporta mais café do que há um ano, mas recebe menos por saca. A safra recorde aumentou a oferta, derrubou os preços e estimulou compras antecipadas dos importadores. Para o produtor no meio da colheita, a equação que define se o resultado de 2026 vai superar 2025 no caixa da propriedade é precisamente essa: quanto o volume adicional consegue compensar a queda de 35% no preço unitário do conilon.


