A família Perut aceitou um acordo proposto pela Ecovias Capixaba e vai deixar o casarão centenário onde vivem 13 pessoas de quatro gerações da família, em Ibiraçu. O processo de desapropriação do imóvel foi iniciado em outubro do ano passado, em função da construção do Contorno da BR-101. O traçado planejado pela concessionária passa pela propriedade da família e exige a demolição do imóvel.
Até então, o neto do casal dono do imóvel, o empresário Daniel Perut, lutava pelo tombamento do casarão, argumentando que a construção faz parte da história da cidade, já que foi erguida por imigrantes italianos. Além disso, o imóvel abriga as obras do artista plástico capixaba José Paulo Dileta, tio de Daniel.
Com o tombamento, o projeto poderia ser revisto, e o casarão preservado. Mas, após meses de tentativas e disputa judicial, Daniel não conseguiu formalizar o reconhecimento histórico do casarão, e a família decidiu aceitar a indenização de R$ 846 mil pelo imóvel.
Além desse valor, a Ecovias se comprometeu a arcar com um aluguel social para acomodar a família até que seja possível comprar um novo imóvel, já que o dinheiro está depositado em juízo e ainda não chegou às mãos dos proprietários.
Segundo Daniel, a concessionária também prometeu contratar cuidadores para os dois idosos que vivem no casarão, a matriarca Aurora Perut Barbosa, de 100 anos, e Pedro Barbosa, de 97.
Prazo para família deixar o imóvel vence em três dias
Daniel conversou com a reportagem do Folha Vitória nesta quinta-feira (14) e afirmou que a ordem judicial mais recente determina que a família deixe a casa até domingo (17), mas a Ecovias garantiu que não será necessária a retirada forçada dos moradores.
O representante assinou o acordo proposto pela empresa e aguarda os próximos passos da concessionária. O neto dos proprietários disse que lamenta a perda do casarão pela sua importância histórica e afetiva, mas se sente aliviado por saber que vai conseguir dar dignidade aos avós.
“Estou aliviado por estar conseguindo resolver essa situação, por dar um abrigo e dignidade aos meus avós. A batalha foi muito desgastante, mas vou continuar lutando para dar o melhor para eles. Quero oferecer tudo o que eles precisarem, de médicos a fisioterapeutas. Essa é a minha missão até o final, até eles partirem, o que eu espero que demore muito para acontecer”, registrou o representante da família.

Mais cedo, a reportagem do Folha Vitória foi contactada por um morador de Ibiraçu afirmando que a família estaria sendo despejada com uso de força policial. A informação foi desmentida por Daniel e pela Ecovias.
Por nota, a empresa afirmou que os processo de desapropriação – 20 áreas devem ser desocupadas para construção do Contorno – está ocorrendo de forma amigável e consensual.
Leia a íntegra da nota da Ecovias:
A Ecovias Capixaba informa que não está ocorrendo a remoção forçada de moradores relacionada às desapropriações necessárias para as obras do Contorno de Ibiraçu.
O processo envolvendo a família Perut, assim como os demais casos ligados às áreas necessárias para a implantação da obra, vem sendo conduzido com diálogo e de forma individualizada, com acompanhamento contínuo da concessionária e respeito aos procedimentos previstos no Plano de Desapropriação e Reassentamento (PD-5) da Ecovias Capixaba.
No caso do imóvel da família Perut, existe um acordo homologado judicialmente, e todas as tratativas seguem sendo realizadas de maneira consensual, com visitas, levantamentos técnicos e acompanhamento permanente por parte das equipes responsáveis.
A Ecovias Capixaba reforça que cada situação relacionada às desapropriações do Contorno de Ibiraçu é tratada individualmente junto aos proprietários, considerando as particularidades de cada imóvel e os trâmites legais aplicáveis.


