O pedreiro Eraldo Ferreira Cabral, de 61 anos, morador de Santa Maria de Jetibá, região Serrana, do Espírito Santo, é o quinto capixaba a receber tratamento com polilaminina, substância que age na regeneração de lesões medulares.
O medicamento foi administrado por uma equipe de pesquisadores que veio do Rio de Janeiro, no último sábado (7), e realizou o procedimento no Hospital Estadual de Urgência e Emergência “São Lucas” (HEUE), em Vitória.
O pedreiro sofreu um acidente no último dia 4 de fevereiro, quando a moto que pilotava foi atingida por uma segunda motocicleta, com duas pessoas. Eraldo foi arremessado e sofreu uma lesão medular, que o deixou tetraplégico.
O condutor da moto envolvida no acidente que lesionou Eraldo foi preso por lesão corporal culposa na direção de veículo automotor. Isso porque, segundo a Polícia Civil, ele estava sob a influência de álcool ou de outra substância psicoativa. Após ser autuado, foi encaminhado para o Centro de Detenção Provisória.
“Não imaginei que fosse algo tão grave”, disse filho
O filho de Eraldo, João Paulo Cabral, relatou que o pai foi socorrido rapidamente após o acidente, que foi flagrado e registrado por câmeras de segurança (veja o vídeo abaixo).
O rapaz apenas teve consciência de que o pedreiro sofreu uma lesão grave quando o viu dentro da ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Câmera registrou o acidente:
“Ele estava consciente, e como recebeu atendimento muito rápido, eu não imaginei que fosse algo tão grave. Quando fiz contato com meu pai na ambulância do Samu realmente percebi que havia uma lesão na cervical e que poderia ter sido algo bem grave”, disse João Paulo.
Após a administração da polilaminina, a família ficou esperançosa de que Eraldo possa recuperar os movimentos.
Isso porque, em todos os outros casos em que o medicamento foi utilizado no Espírito Santo, os resultados foram animadores e todos os pacientes seguem em recuperação.
De acordo com Ilda Cabral, mulher de Eraldo, mesmo que a recuperação seja lenta e trabalhosa, a família segue com esperanças.
“A gente sabe que não é fácil, não vai ser um processo fácil, vai precisar de muita fisioterapia, mas a gente vai conseguir”, afirmou.
Rede de apoio e esperança
No Espírito Santo, pacientes que receberam o tratamento com o medicamento contam com uma rede de apoio por meio do Grupo de Trabalho Intersetorial (GTI) da Polilaminina no Espírito Santo, liderado pelo coordenador Mitter Mayer Volpasso Borges.
Mitter relata que o medicamento é uma esperança para que pessoas com lesão medular possam recuperar sua autonomia e dignidade.
“A expectativa é muito grande, a gente vê resultados em todo mundo que recebeu, independente do resultado. Então existe muito otimismo de que a qualidade de vida dessas pessoas, que tinham um prognóstico muito ruim, consiga evoluir e ter dignidade na continuidade da sua vida”, disse.
Ainda segundo ele, em alguns casos os resultados são tão impressionantes que parecem milagres.
Polilaminina: mais de 20 anos de pesquisa
Os testes com polilaminina são resultado de uma pesquisa de mais de 20 anos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), liderada pela pesquisadora Tatiana Sampaio.

O tratamento experimental foi autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após pedido da própria UFRJ e da Justiça.
A expectativa é que o medicamento seja autorizado para fabricação em larga escala em breve.
“A gente está acompanhando cada caso, vê os resultados, vê a esperança das pessoas, a evolução de cada paciente. Parece até um milagre o que tem acontecido. Estou muito otimista que vai chegar a todo mundo que precisa”, afirmou Mitter.
*Com informações do repórter Alex Pandini, da TV Vitória/Record


