A filha da professora Benedita de Jesus Rodrigues , 59 anos, encontrada morta em uma geladeira em Montanha, região Norte do Espírito Santo, na última sexta-feira (21), conversou com exclusividade com a TV Vitória.
A jovem, que não quis se identificar, deu detalhes sobre o relacionamento que a mãe mantinha com o suspeito de cometer o crime, Silas Santos Fountoura, de 40 anos. Ele foi preso.
O relacionamento
A vítima e o suspeito mantiveram um relacionamento amoroso por cerca de 10 meses. Eles se conheceram em Nanuque, Minas Gerais. Silas era uma pessoa em situação de rua e Benedita passou a ajudá-lo, dali, o namoro teve início.
De acordo com a filha da vítima, o relacionamento era marcado por ciúmes e por agressões físicas e verbais.
“Era muito por ciúmes, porque minha mãe causava ciúmes nele e ele causava ciúmes na minha mãe. Minha mãe estava cega de amor por ele”, contou.
Em um desses episódios de agressão, Silas chegou a atacar e perfurar a vítima com uma chave de fenda.
Foi a partir dos desentendimentos com a vítima, que o suspeito teria passado a ameaçar também a família dela.
Tinha boatos que ele falava que ia matar ela e voltaria para me matar. Porque, como eu sou bem fortinha, ele não falava meu nome, falava: ‘Vou matar a mãe e voltar para matar a gorda’. Ele chegou a perfurá-la com uma chave de fenda.
Filha da vítima
Relacionamento escondido
Após a agressão com a chave de fenda, familiares e amigos de Benedita passaram a não aceitar o relacionamento entre a professora e Silas. O suspeito chegou, inclusive, a ser expulso do bairro onde vivia em Nanuque.
Depois da expulsão, Silas foi embora de Nanuque e se mudou para Montanha para trabalhar apanhando café.
A partir disso, Benedita e Silas passaram a manter o relacionamento em segredo, com a vítima vindo ao Espírito Santo para visitá-lo.
A filha da vítima contou que confrontou a mãe sobre as visitas e que Benedita confessou se encontrar com o suspeito.
“Eu pressionei ela, menti para ela, falei que já estava sabendo. Ela foi e abriu o verbo e falou para mim: ‘Sim, filha, estou visitando ele aqui de vez em quando’. Eu queria tanto que ela pudesse ter nos ouvido. Talvez se ela tivesse nos ouvido, escutado os conselhos dos amigos, ela estaria hoje do meu lado”, relatou.
Desaparecimento e morte
Segundo a filha de Benedita, a última vez que ambas conversaram foi no domingo (16). Na ocasião, a vítima relatou que iria para uma roça onde não havia sinal de celular, mas que voltaria a Nanuque para passar o aniversário junto da filha.
No dia seguinte, a filha notou que o Whatsapp da mãe aparecia sem foto e como desativado. Ela pediu ajuda ao tio, que relatou que no telefone dele, a situação era a mesma.
Na sexta-feira, dia em que o corpo foi encontrado, os dois já haviam iniciado uma força-tarefa para buscar por Benedita.
Corpo foi encontrado por dono de imóvel
O corpo da vítima foi encontrado pelo dono do imóvel que Silas alugava em Montanha. Ele teria ido à casa para fechá-la, uma vez que o suspeito não havia pagado o aluguel. Ele estranhou a posição da geladeira, que estava com a porta virada para a parede, ao abri-la, encontrou o corpo da vítima. O irmão de Benedita foi informado sobre a morte.
“Na sexta-feira, eu liguei mais cedo para o meu tio, ele disse: ‘Essa semana irei até Teixeira, você vem até aqui e eu trago você para Nanuque, que a gente vai começar as buscas’. Logo em seguida, ele já me retornou, umas 18h30, com essa notícia horrível que estou passando”, disse.
Além do assassinato de Benedita, Silas é procurado por um homicídio cometido na Bahia.
A Polícia Civil informou que Silas foi preso e que outros detalhes sobre o caso serão divulgados durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (26), na Chefatura da Polícia Civil.
*Com informações da repórter Luciana Leicht, da TV Vitória/Record


