A Polícia Civil indiciou em Guarapari um homem de 47 anos por três crimes de estupro de vulnerável e ameaça, após relatos de três jovens sobre abusos sofridos antes dos 14 anos. O inquérito foi concluído nesta segunda-feira (31).
Durante coletiva nesta terça-feira (1º), a Polícia Civil informou que cumpriu a prisão temporária e um mandado de busca e apreensão contra o investigado em 21 de agosto. A ação teve apoio da Polícia Militar. O homem permanece preso e está à disposição da Justiça.
Como a investigação começou
A investigação começou em 15 de agosto, quando a filha do investigado procurou a sede da 5ª Delegacia Regional de Polícia de Guarapari para denunciar os abusos.
Segundo o delegado Rafael Gobbi, uma tia incentivou a jovem a buscar a polícia, e ela recebeu atendimento humanizado. Dois dias depois, a vítima retornou à delegacia para formalizar as declarações.
A partir do primeiro relato, os investigadores identificaram a enteada do homem como uma segunda possível vítima. Ela prestou depoimento, e, segundo Gobbi, os relatos foram coerentes e convergentes com as informações apresentadas pela primeira jovem.
Posteriormente, a polícia tomou conhecimento de uma terceira vítima, que era vizinha do investigado, e a família dela registrou um boletim de ocorrência.

Abusos ocorreram há cerca de dez anos; vítimas recebiam ameaças pelo WhatsApp
Segundo a investigação, os abusos ocorreram há cerca de dez anos. A filha do investigado tinha aproximadamente dez anos à época, enquanto a enteada tinha idade semelhante. A terceira vítima teria sofrido abusos em outro período, depois dos casos envolvendo as duas jovens da mesma família.
Na residência do investigado, os policiais apreenderam uma carabina de pressão calibre 5.5. De acordo com a Polícia Civil, o homem enviava fotos da arma às três vítimas pelo WhatsApp para intimidá-las e impedir que fizessem denúncias.
As jovens não sabiam se o objeto era uma arma de fogo, mas, segundo o delegado, as imagens eram suficientes para causar intimidação.
A polícia informou que o investigado teve a oportunidade de permanecer em silêncio, mas confessou os abusos contra as três vítimas durante o cumprimento dos mandados.
Ainda conforme a investigação, ele possui antecedente policial por assédio sexual. Esse registro, as denúncias e a informação de uma possível fuga contribuíram para o pedido de prisão temporária.
Segundo a polícia, o homem, natural do Maranhão e morador de Guarapari havia aproximadamente 20 anos, teria decidido deixar o município após saber da investigação preliminar.
Ele pediu a rescisão do contrato de trabalho em 21 de agosto, data que seria seu último dia no emprego, conforme informações repassadas pelo chefe à polícia. A PMES compartilhou a possível tentativa de fuga com os investigadores.
A Polícia Civil representou pela prisão temporária e pela busca e apreensão, medidas que tiveram parecer favorável do Ministério Público e foram deferidas pelo Poder Judiciário.
Com a conclusão do inquérito, o homem foi indiciado pelos três casos de estupro de vulnerável e pelo crime de ameaça. A corporação também pediu a conversão da prisão temporária em preventiva, por considerar que ele representa perigo para o meio social.
Denúncia anos depois não impede apuração
As três vítimas são atualmente jovens mulheres: a filha e a enteada têm 19 anos, e a vizinha tem aproximadamente 18. Durante a coletiva de imprensa, realizada nessa terça-feira (31), a delegada Cláudia Dematté afirmou que a demora para denunciar não impede a apuração.
As marcas que esses crimes deixam são marcas para sempre, são marcas muito profundas
Delegada Cláudia Dematté, chefe da Divisão Especializada de Atendimento à Mulher (DIV-Deam).
O delegado-geral Jordano Bruno reforçou que denúncias de abusos antigos podem levar à identificação de outras vítimas e evitar novos crimes.
“Mesmo passados muitos anos, aquela pessoa, que cometeu um abuso há muitos anos, pode estar nesse momento cometendo abusos em relação a crianças e adolescentes”, afirmou.
A Polícia orienta que suspeitas de violência contra crianças e adolescentes sejam denunciadas pelo Disque-Denúncia 181.
*Texto sob supervisão da editora Erika Santos


