As exportações de mamão do Espírito Santo recuaram nos primeiros oito meses de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado, embora o setor ainda aposte em crescimento das vendas externas no fechamento do ano.
Entre janeiro e agosto, o Estado embarcou 13,15 mil toneladas da fruta, com receita de US$ 20,54 milhões. No mesmo período de 2025, foram cerca de 14,8 mil toneladas e US$ 21,6 milhões. Assim, o volume caiu aproximadamente 11%, enquanto o faturamento recuou cerca de 5%.
A diferença entre os dois percentuais mostra que a redução na quantidade exportada teve impacto menor sobre a receita. Neste ano, cada quilo de mamão exportado pelo Espírito Santo rendeu, em média, cerca de US$ 1,56. No mesmo período de 2025, o valor ficou próximo de US$ 1,46 por quilo.
Apesar do resultado menor em 2026, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex), José Roberto Macedo Fontes, afirma que as vendas externas apresentam uma trajetória de crescimento quando se observa um período mais longo.
“As exportações têm aumentado gradativamente, ano após ano. A Europa continua sendo o principal destino. Mas alguns outros mercados também têm surgido com boas oportunidades e maiores valores agregados, dependendo da época. Esses mercados ao redor do mundo têm contribuído também para esses recordes de exportação”, afirma.
Além disso, a Brapex espera ampliar os embarques nos próximos meses. Segundo Fontes, o setor aposta na qualidade da fruta.
“Estamos apostando na continuidade do aumento das exportações, mesmo com uma desaceleração nas áreas de plantios. Para isso, o foco na qualidade da fruta será determinante. Assim, esperamos melhoria nas receitas, principalmente para os produtores”, diz.
Maior receita da série histórica
A série histórica das exportações capixabas de mamão começa em 1997 e mostra uma expansão das vendas externas ao longo das últimas décadas. Naquele primeiro ano, o Espírito Santo exportou 5,16 mil toneladas e faturou US$ 4,6 milhões.
Já em 2025, o Estado alcançou o maior faturamento anual de toda a série. As exportações somaram US$ 32,26 milhões, com o embarque de 22,15 mil toneladas. No ano anterior, em 2024, o Estado havia vendido US$ 28,29 milhões e enviado 19,45 mil toneladas ao exterior.
Portanto, a receita cresceu mais de US$ 3,9 milhões entre 2024 e 2025. O volume também aumentou em aproximadamente 2,7 mil toneladas.
Antes disso, 2021 registrou uma das maiores receitas da série. Naquele ano, as vendas externas renderam US$ 24,86 milhões, com 24,03 mil toneladas exportadas.
Entretanto, o recorde de receita não coincide com o maior volume já enviado pelo Espírito Santo ao exterior. O maior embarque ocorreu em 2003, quando o estado exportou 27,47 mil toneladas de mamão e faturou US$ 19,84 milhões.
Na sequência aparecem 2005, com 24,90 mil toneladas, e 2004, com 24,78 mil toneladas. Dessa forma, os dados mostram que o avanço da receita nos últimos anos não depende apenas do volume, mas também do valor obtido pela fruta no mercado internacional.
Mesmo com 2026 ainda em andamento, as vendas externas já somam US$ 20,54 milhões até agosto. O resultado coloca o acumulado dos oito primeiros meses acima do faturamento anual registrado em boa parte dos anos anteriores da série.
Fontes avalia que ainda existe espaço para o Brasil ampliar sua presença no mercado internacional de frutas.
“Devemos lembrar que nosso potencial é muito grande, dado o fato de que exportamos, em média, 5% da produção brasileira de frutas, incluindo o mamão”, afirma.


