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O setor atacadista do Espírito Santo quase dobrou sua participação na arrecadação ICMS estadual entre 2022 e 2025, passando de 15,1% para 29,1% da arrecadação total do imposto, segundo levantamento da Apex Research em parceria com o Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do ES (Sincades). Em valores absolutos, a contribuição saltou de R$ 2,61 bilhões para R$ 6,64 bilhões.

Entre 2020 e 2025, o ICMS gerado pelo atacado avançou 151% nominalmente, contra 7,3% ao ano do ICMS total do estado. De 2015 a 2025, o índice do ICMS atacadista capixaba chegou a 304,6 (base 100 = 2015), enquanto a média nacional alcançou 243,3.

A força do setor aparece no ranking das maiores empresas do estado. Na 29ª edição do Anuário IEL 200, divulgado pela Findes em 2025, três das cinco maiores companhias do Espírito Santo são tradings e atacadistas.

A Comexport Trading lidera com receita operacional líquida de R$ 34,6 bilhões; Sertrading aparece em quarto (R$ 15,9 bilhões de faturamento) e a Timbro Trading em quinto (R$ 14 bilhões). É a primeira vez, na história do anuário, que uma empresa não industrial ocupa o topo da tabela.

Esse protagonismo foi construído sobre um incentivo fiscal: o Compete-ES Atacadista, programa do governo estadual que atrai distribuidoras e tradings por meio de benefícios no ICMS. O movimento ganhou força na década passada e transformou o Espírito Santo na maior porta de entrada de carros e aeronaves executivas do Brasil.

Com a Reforma Tributária em curso, esse modelo está ameaçado. A substituição do ICMS pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), prevista para vigorar progressivamente a partir de 2027, elimina a base legal dos incentivos estaduais. O estudo projeta uma potencial perda de R$ 9,8 bilhões em ICMS atacadista para 2033, ano em que o novo sistema estará plenamente implantado.

O impacto fiscal alcança também os municípios. Em 2025, R$ 1,66 bilhão do ICMS atacadista foi repassado às prefeituras capixabas via cota-parte. Em Aracruz, esse imposto representou 36,7% de toda a arrecadação municipal de ICMS em 2024; em Serra, 27,7%.

Uma simulação do levantamento da Apex indica que uma queda de 50% nessa arrecadação reduziria a capacidade de investimento dos municípios em 16%, com perda agregada de R$ 709 milhões.

Na comparação entre estados, o Espírito Santo é o primeiro em participação do atacado no total de empregos (5,1%) e o segundo em empregos por 100 mil habitantes (1.468), segundo a RAIS 2024. A Grande Vitória concentra 61% das empresas do setor, com 2.488 estabelecimentos.

A participação do comércio no PIB capixaba saiu de 7,5% em 2002 para 17,2% em 2023. As projeções apontam para R$ 7 bilhões de ICMS atacadista em 2026 e até R$ 9,3 bilhões em 2032 – ano em veremos a extinção dos benefícios fiscais. Essa trajetória que depende da manutenção dos incentivos que a reforma coloca em xeque ou de soluções criativas do Espírito Santo para manter a competitividade desse setor.



FONTE: Folha Vitória