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Foto: Reprodução/TV Vitória

A mãe da bebê de 1 ano e 7 meses encontrada engatinhando sozinha em Vila Velha falou pela primeira vez sobre o caso que ganhou repercussão nacional. Em entrevista exclusiva à TV Vitória/Record, a mulher relembrou a madrugada em que voltou para casa e percebeu que a filha havia desaparecido.

O episódio aconteceu em 25 de junho deste ano, no bairro Barramares, na região da Grande Terra Vermelha. Na noite anterior, a mulher, que trabalha como faxineira, saiu para o aniversário de uma amiga e deixou a menina sob os cuidados do filho mais velho, de 15 anos.

Segundo a mãe, o adolescente estava acordado e assistia a um filme quando ela saiu. Como iria a uma rua próxima de casa, acreditou que não haveria problema em deixar a filha com o irmão.

Meu filho estava acordado e eu deixei ela sob os cuidados dele. Ele estava assistindo a um filme. Então, eu falei aonde que eu ia, que era uma rua atrás da minha, muito perto.

Mãe da criança

A mulher explicou que tomou a decisão com base na própria experiência familiar. Durante a infância, ela também costumava cuidar dos irmãos enquanto a mãe trabalhava.

“Eu achei que não tinha nada a ver deixar minha filha sob o cuidado do irmão. Quando eu era mais nova eu e meus irmãos nos cuidávamos e nunca deu nada errado. Era a situação que tinha, porque senão minha mãe não conseguia o sustento”, relatou.

Mãe percebeu sumiço da filha ao chegar em casa

Ao retornar para casa, a mulher encontrou o filho adolescente dormindo e percebeu que a bebê não estava na cama. Como ainda amamentava a menina, procurou imediatamente pela criança.

Meu filho estava dormindo. A primeira coisa que eu fiz, porque eu amamentava ela, foi procurá-la na cama. Quando eu vi que ela não estava, eu acordei ele, que não soube explicar por que a porta ficou aberta.

Mãe da criança

A mãe também contou que a residência passava por obras na época e, segundo ela, não oferecia a segurança necessária para impedir que a menina saísse sozinha.

A bebê foi encontrada por volta da 1h em uma avenida do bairro Barramares. Um motoboy que passava pelo local percebeu a presença da criança na pista e parou para evitar que ela fosse atropelada.

Uma moradora que caminhava pela região com a própria filha, de idade semelhante à da bebê, também presenciou a cena e ajudou a acolher a criança até a chegada da Polícia Militar.

Na ocasião, a testemunha relatou o espanto ao encontrar a menina sozinha na rua.

Quando eu cheguei perto, eu não acreditei no que eu estava vendo. Para mim, aquilo ali só acontecia em filme.

Vizinha.

Após o resgate, policiais percorreram ruas próximas na tentativa de localizar os responsáveis pela criança. A mãe compareceu à delegacia por volta das 5h para comunicar o desaparecimento da filha.

A bebê foi encaminhada pelo Conselho Tutelar a uma instituição de acolhimento. A mãe foi autuada em flagrante por abandono de incapaz e levada ao presídio feminino, mas deixou a prisão após audiência de custódia realizada no dia seguinte.

Bebê ficou três meses em uma casa de acolhimento

As consequências do episódio continuaram mesmo depois que a mãe deixou a prisão. Por determinação judicial, a menina permaneceu por três meses em uma instituição de acolhimento. Segundo a mulher, a filha voltou para casa cerca de duas semanas antes da entrevista.

Durante o período de afastamento, a mãe também enfrentou dificuldades para manter o trabalho como faxineira. Ela precisava comparecer periodicamente à Justiça e estar disponível para receber visitas em casa, o que prejudicava o agendamento dos serviços.

“Como eu sou faxineira, eu não podia ter compromisso, porque eu estou tendo que me apresentar até hoje. Todo mês eu tenho que me apresentar.”

Segundo ela, a situação afetou sua vida profissional e a rotina familiar. A mulher também relatou ter sido alvo de julgamentos nas redes sociais após o caso ganhar repercussão nacional.

Alerta a outras mães

Ao relembrar o episódio, a mãe reconheceu que a decisão teve consequências graves. Ela afirmou que decidiu falar publicamente para alertar outras mulheres, especialmente mães solo que enfrentam dificuldades para encontrar alguém de confiança para cuidar dos filhos.

Aconteceu da pior forma para eu aprender. Então, eu aconselho a não fazer. Procura uma rede de apoio, paga alguém para ficar, alguém da sua confiança. Você tem que ter responsabilidade em primeiro lugar.

Mãe.

*Com informações do repórter André Falcão, da TV Vitória/Record.



FONTE: Folha Vitória