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Foto: Canva

Entre o que vende ao exterior e o que compra de outros países, o Espírito Santo pode ganhar receita e, ao mesmo tempo, acumular custos com um dólar mais valorizado. No Relatório Focus do Banco Central, a expectativa do mercado para a cotação no fim de 2026 permanece em R$ 5,20 há 15 semanas. A projeção não significa, porém, que o dólar seguirá uma trajetória de alta ou ficará nesse valor até dezembro.

No entanto, as oscilações ao longo do caminho afetam empresas capixabas de diferentes maneiras, conforme a participação da moeda estrangeira nas vendas e nas despesas. Café, rochas ornamentais, celulose, frutas e pimenta estão entre os setores expostos a essas mudanças.

Também entram nessa conta os negócios que importam insumos, bens de consumo, máquinas e equipamentos, segundo o assessor de Câmbio e Comércio Exterior da Sicredi Serrana, Vinícius Pereira.

“Muitas vezes, o empresário não consegue repassar imediatamente a alta do dólar para o consumidor final, absorvendo parte desse aumento nos seus custos. Já para as empresas exportadoras, o dólar mais alto costuma elevar a receita em reais e melhorar a competitividade”, explica.

Para quem exporta, a valorização da moeda permite um ganho maior. Contudo, a empresa precisa avaliar também suas despesas. Se parte dos insumos vem do exterior, o aumento desses custos pode reduzir o benefício.

Quando o dólar cai, a relação se inverte. As compras internacionais podem ficar mais baratas, enquanto os recebimentos de exportações passam a render menos. Por isso, olhar apenas para o faturamento ou para a cotação do dia não basta para entender o efeito sobre o lucro.

Juros entram nessa conta

Há, ainda, uma ligação entre Selic e dólar, e ela passa pelo fluxo de investimentos. Segundo Pereira, a queda dos juros brasileiros tende a tornar o país menos atrativo ao capital externo. Uma entrada menor de dólares, por sua vez, pode pressionar a cotação para cima.

Mas esse movimento depende também do que acontece fora do Brasil. Se os Estados Unidos mantiverem juros elevados, por exemplo, os investimentos naquele mercado podem atrair mais recursos e sustentar um dólar valorizado.

“O cenário econômico internacional, a economia norte-americana, questões geopolíticas, conflitos e até mesmo a confiança dos investidores na economia brasileira impactam diretamente esse grau de oscilação do dólar.”

Já uma melhora na percepção de risco e no ambiente econômico brasileiro pode favorecer o real. Assim, a redução da Selic é uma peça da análise, e não uma garantia de que a moeda americana vai subir.

Como se proteger

Para administrar essa incerteza, empresas podem recorrer à proteção cambial, também chamada de hedge. O instrumento ajuda a reduzir o impacto das variações da moeda sobre compromissos futuros, como uma importação a pagar, um financiamento ou uma exportação a receber.

Uma empresa que compra equipamentos no exterior, por exemplo, precisa saber quanto terá de desembolsar em reais quando a conta vencer. Já quem exporta precisa estimar quanto terá disponível após converter o pagamento recebido em dólares.

“Em vez de tentar adivinhar para onde o dólar vai, a empresa define uma taxa e consegue planejar melhor seu fluxo de caixa e sua margem de lucro com base no que já tem.”

Essa preocupação também alcança pequenos e médios negócios com operações em moeda estrangeira. Além do hedge, Pereira cita medidas como antecipar o planejamento de compras internacionais, distribuir pagamentos em diferentes datas e acompanhar o fluxo de caixa em moeda estrangeira.

“O erro mais comum é esperar o mercado se movimentar para só então buscar proteção, ou tentar especular com o câmbio, transformando uma ferramenta de segurança em aposta.”



FONTE: Folha Vitória