banner_cidade
previous arrow
next arrow



O papa Leão XIV publicou a encíclica Magnifica Humanitas, documento que marca a primeira grande manifestação do Vaticano sobre os impactos da inteligência artificial na sociedade. Divulgado em 25 de maio, o texto defende que o avanço tecnológico deve estar subordinado à dignidade humana, ao bem comum e à proteção da vida.

A encíclica, intitulada Sobre a Salvaguarda da Pessoa Humana no Tempo da Inteligência Artificial”, foi assinada pelo Pontífice em 15 de maio, data que marcou os 135 anos da histórica encíclica Rerum Novarum, de Leão XIII. O texto estabelece um paralelo entre os desafios da Revolução Industrial e as transformações provocadas pela IA no século XXI.

Para ajudar na compreensão do documento, o cardeal Fernando Chomali divulgou um resumo com 10 pontos centrais da encíclica. Entre eles, está a defesa de que a pessoa humana deve permanecer no centro de qualquer progresso tecnológico e que a inteligência artificial precisa servir ao bem comum, sem substituir experiências humanas fundamentais.

Dez pontos destacados pelo cardeal Fernando Chomali

  • A pessoa humana deve estar no centro do progresso tecnológico;
  • O maior desafio atual é humano e espiritual, não técnico;
  • A inteligência artificial deve servir ao bem comum;
  • A dignidade humana não depende da produtividade;
  • A fragilidade humana não é um defeito a ser eliminado;
  • A experiência humana não pode ser substituída pela IA;
  • A verdade deve ser preservada como bem comum;
  • O trabalho não pode seguir apenas a lógica das máquinas;
  • A liberdade corre riscos diante de novas formas de controle;
  • A esperança continua sendo uma responsabilidade compartilhada.

Ao longo de mais de 40 mil palavras, o documento alerta para riscos ligados à concentração de poder tecnológico, à manipulação de informações, à automação do trabalho e ao uso militar da inteligência artificial.

O Papa também defende mecanismos de governança, transparência e responsabilidade pública sobre o desenvolvimento dessas tecnologias.

Outro ponto enfatizado é que a IA não deve ser confundida com a inteligência humana. Segundo a encíclica, sistemas artificiais são capazes de processar dados e reproduzir padrões, mas não possuem consciência moral, experiências afetivas ou compreensão real das relações humanas.

Debate continua na Igreja

O presidente da Conferência Episcopal Chilena, René Rebolledo Salinas, afirmou que a encíclica dialoga diretamente com desafios atuais enfrentados pelos jovens, como dependência tecnológica, manipulação digital e exposição constante a ambientes virtuais. Segundo ele, a Igreja precisa estar presente nesse espaço para orientar e acompanhar as novas gerações.

A discussão será aprofundada durante o Seminário Internacional de Comunicação da Igreja, programado para julho no Chile, que terá a inteligência artificial como tema central. A expectativa é que Magnifica Humanitas se torne uma das principais referências da Igreja Católica para debates sobre tecnologia, ética e sociedade nos próximos anos.



FONTE: Folha Vitória