O número de passageiros utilizando o Sistema Transcol caiu cerca de 5,75% nos últimos dois anos, e a causa dessa queda pode estar relacionada a novas opções de deslocamento incorporadas à rotina dos capixabas, como a adesão às corridas por aplicativos, o uso das bicicletas elétricas e a compra de novos veículos particulares.
A análise é do economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4 Intelligence, empresa que realizou o levantamento. A consulta analisou dados históricos do sistema de transporte da Grande Vitória desde 1998, formando uma série histórica de 27 anos sobre o número de passageiros transportados anualmente.
Segundo o levantamento, em 2023, o número de pessoas transportadas pelo Sistema Transcol foi de 179 milhões. Já em 2025, 168 milhões. Analisando a série histórica, é possível observar que desde o início do levantamento – em 1999 – houve um aumento gradual no número de passageiros.
O crescimento foi interrompido pela pandemia – nos anos 2020 e 2021 -, quando há uma queda brusca nos registros, devido à condição de isolamento social imposta na época. No ano seguinte – 2022 – o fluxo foi recuperado e há até um crescimento no número de usuários em 2023. A queda começa em 2024 e segue em 2025.
Vale explicar que, nesse levantamento, cada vez que uma pessoa entra no ônibus e passa pela roleta, esse número é contabilizado como um passageiro. Portanto, se a mesma pessoa entrou em ônibus do Sistema Transcol 100 vezes em um ano, o levantamento contabilizou 100 passageiros.
O economista acredita que houve uma mudança de hábitos das pessoas após a pandemia.
Tivemos algumas mudanças nesse cenário de transporte público pós-pandemia, principalmente com a consolidação das empresas de transporte por aplicativo e também com as mudanças das preferências dos consumidores. Muitos passaram a adquirir carros, têm medo de pegar transporte público; quem tem um pouco mais de condição passa a andar de carro. Então, tivemos algumas consolidações e mudanças importantes.”
Bruno Imaizumi, economista
Além disso, Bruno acrescentou que a integração do sistema com o Aquaviário e o crescimento no número de bicicletas elétricas, principalmente em Vitória, também podem ter influenciado na diminuição do número de passageiros transportados nos ônibus.
Semobi: aquaviário e ciclovias contribuíram para queda
Procurada pela reportagem do Folha Vitória para comentar o levantamento, a Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi) informou que investe permanentemente para tornar o transporte público mais atrativo à população, “visando a redução do tempo de deslocamento, o aumento da confiabilidade e a melhoria do conforto e eficiência para o usuário”.
A secretaria atribui a queda dos dois últimos anos a fatores como a implantação do Sistema Aquaviário e a expansão da malha cicloviária. A retirada dos pedágios da Terceira Ponte e da Rodovia do Sol também é apontada como um elemento que incentivou o uso de veículos particulares.
Estado recuperou número de passageiros após pandemia
Sobre o levantamento, a Semobi afirmou que o Estado conseguiu recuperar os níveis de passageiros do transporte público no período pós-pandemia. Em nota, a pasta destacou que em 2025 o volume de usuários do sistema atingiu o mesmo patamar registrado em 2019, “enquanto outras unidades da federação enfrentam quedas de até 40%”, diz o texto.
A Semobi encara esses números como um fato positivo, pois eles seriam resultado de investimentos realizados desde 2019, incluindo a renovação de 1.200 ônibus, a climatização de mais de 70% da frota e a ampliação do sistema para cerca de 1.650 veículos em operação.
A secretaria destacou, ainda, a modernização de terminais e o investimento em corredores exclusivos, como a implantação do ExpressoGV, em Vila Velha, e a faixa exclusiva da Terceira Ponte.
Confira os dados completos do levantamento realizado pela 4 Intelligence:
| Ano | Passageiros transportados nos ônibus da Grande Vitória | Variação anual (em %) |
|---|---|---|
| 1999 | 134.489.194 | |
| 2000 | 137.300.705 | 2,09 |
| 2001 | 136.110.555 | -0,87 |
| 2002 | 137.369.940 | 0,93 |
| 2003 | 134.311.815 | -2,23 |
| 2004 | 139.632.888 | 3,96 |
| 2005 | 146.794.483 | 5,13 |
| 2006 | 152.162.877 | 3,66 |
| 2007 | 161.926.375 | 6,42 |
| 2008 | 175.222.063 | 8,21 |
| 2009 | 183.557.173 | 4,76 |
| 2010 | 186.726.061 | 1,73 |
| 2011 | 195.181.494 | 4,53 |
| 2012 | 197.390.625 | 1,13 |
| 2013 | 196.045.660 | -0,68 |
| 2014 | 199.665.309 | 1,85 |
| 2015 | 195.436.511 | -2,12 |
| 2016 | 187.221.550 | -4,20 |
| 2017 | 170.320.884 | -9,03 |
| 2018 | 170.750.617 | 0,25 |
| 2019 | 168.276.515 | -1,45 |
| 2020 | 108.742.006 | -35,38 |
| 2021 | 129.335.835 | 18,94 |
| 2022 | 174.674.780 | 35,06 |
| 2023 | 179.208.020 | 2,60 |
| 2024 | 176.051.294 | -1,76 |
| 2025 | 168.907.934 | -4,06 |
(Fonte: Ceturb)


