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Imagem: Reprodução

A Igreja Católica celebra nesta quinta-feira, 23 de julho, a memória de Santa Brígida da Suécia, religiosa que passou parte da vida entre os cuidados com a família, ações de caridade e viagens por diferentes regiões da Europa.

Antes de fundar uma ordem religiosa, Brígida foi casada por mais de 20 anos e teve oito filhos. Uma das filhas, Catarina da Suécia, acompanhou a mãe em Roma e também foi reconhecida como santa.

O santo de hoje 23/07 ficou conhecido ainda pela defesa da paz e pelas mensagens enviadas a autoridades políticas e religiosas durante um período de conflitos no continente europeu.

Quem é o santo de hoje 23/07?

Santa Brígida nasceu em 1303, na região de Finsta, na Suécia. Ela pertencia a uma família da aristocracia e teve acesso a uma formação religiosa desde os primeiros anos de vida.

Embora demonstrasse interesse pela vida consagrada, aceitou o casamento com Ulf Gudmarsson, governador de um importante distrito do Reino da Suécia. A união ocorreu por decisão da família, como era comum naquele período.

Brígida e Ulf tiveram oito filhos. O casal procurava manter uma rotina de oração, acolhimento e auxílio às pessoas em situação de vulnerabilidade.

Segundo o Vatican News, os dois seguiram a Regra da Ordem Terceira Franciscana e fundaram um pequeno hospital. Brígida também estudou a Bíblia com o acompanhamento de um religioso e ganhou reconhecimento por sua formação.

Seu conhecimento levou o rei sueco a convocá-la para ajudar uma jovem rainha estrangeira a compreender os costumes e a cultura da Suécia.

Casamento e maternidade marcaram a primeira fase de sua vida

A trajetória de Santa Brígida costuma ser dividida em duas etapas. A primeira foi dedicada principalmente à família, ao casamento e à educação dos filhos.

Ela não abandonou a vida cotidiana para seguir a fé. Seu caminho religioso foi construído dentro da realidade de esposa, mãe e responsável pela administração da casa.

A atuação junto aos doentes também fazia parte da formação dada aos filhos. Catarina da Suécia relatou posteriormente que a mãe levava as crianças para visitar hospitais e cuidava pessoalmente dos enfermos.

Uma das experiências importantes do casal foi uma peregrinação a Santiago de Compostela, na Espanha. Depois da viagem, Ulf ficou doente e decidiu passar os últimos anos no mosteiro cisterciense de Alvastra.

Com a morte do marido, após mais de duas décadas de casamento, Brígida iniciou uma nova fase. Ela abriu mão de parte dos bens e se aproximou da vida religiosa no mosteiro de Alvastra.

Experiências religiosas foram reunidas em oito livros

Brígida relatou ter vivido experiências místicas desde a infância, mas esses episódios ganharam maior importância depois da morte do marido.

As mensagens atribuídas a essas experiências foram reunidas posteriormente nos oito livros conhecidos como “Revelações”. Os textos abordam a vida de Cristo, a Virgem Maria, a situação da Igreja e os conflitos políticos da época.

A Igreja Católica não considera que revelações particulares acrescentem ou substituam o conteúdo da fé cristã. Ao declará-la co-padroeira da Europa, São João Paulo II destacou que a Igreja acolheu o conjunto de sua experiência espiritual sem emitir uma avaliação individual sobre cada revelação.

Brígida também tinha especial devoção à Paixão de Cristo. Seu nome passou a ser relacionado a orações e práticas devocionais que se espalharam por diferentes países.

Promessas de resultados automáticos atribuídas a determinadas orações, porém, devem ser vistas com cautela. Na tradição católica, a oração não funciona como garantia de obtenção de pedidos, mas como expressão de fé e confiança.

Santa Brígida deixou a Suécia e passou a viver em Roma

Em 1349, Brígida viajou para Roma com o objetivo de buscar o reconhecimento da Ordem do Santíssimo Salvador, comunidade religiosa que pretendia fundar.

A ordem, posteriormente conhecida como Ordem de Santa Brígida ou Ordem das Brigidinas, teria uma organização ligada à vida de oração, ao estudo e à caridade.

Brígida decidiu permanecer em Roma e passou a viver em uma casa próxima à Praça Farnese. O local ainda está relacionado à presença das religiosas brigidinas na capital italiana.

Mesmo tendo nascido em uma família nobre, ela adotou uma vida simples. Durante o período romano, chegou a pedir esmolas nas portas das igrejas e manteve atividades de assistência aos pobres.

Sua filha Catarina, que havia ficado viúva, juntou-se à mãe. As duas participaram de peregrinações, ações de caridade e iniciativas de formação religiosa entre famílias da cidade.

Religiosa enviou mensagens ao papa e aos governantes

A presença do papa fora de Roma era uma das principais preocupações de Santa Brígida. Naquele período, os pontífices residiam em Avinhão, na França, situação que ficou conhecida como Papado de Avinhão.

Brígida enviou mensagens pedindo que o papa retornasse à sede da Igreja em Roma. Urbano V chegou a voltar em 1367, mas permaneceu na cidade por um período curto.

A instalação definitiva do pontífice em Roma ocorreu somente com Gregório XI, depois da morte de Brígida.

Ela também escreveu a governantes europeus e pediu o fim dos conflitos entre França e Inglaterra durante a Guerra dos Cem Anos. A defesa do diálogo e da reconciliação tornou-se uma das marcas de sua atuação pública.

Bento XVI, durante o Angelus de 23 de julho de 2006, afirmou que o testemunho de Santa Brígida recorda a importância da abertura entre povos e civilizações.

Peregrinação à Terra Santa ocorreu perto dos 70 anos

Mesmo com a idade avançada para os padrões do século XIV, Brígida continuou viajando. Ela passou por diferentes locais de peregrinação na Itália, entre eles Assis e a região do Gargano.

Perto dos 70 anos, realizou uma viagem à Terra Santa. A peregrinação reforçou sua ligação com os lugares relacionados à vida e à Paixão de Cristo.

Depois de retornar, sua saúde ficou mais fragilizada. Santa Brígida morreu em Roma no dia 23 de julho de 1373, data escolhida posteriormente para sua celebração litúrgica.

Seus restos mortais foram levados pela filha Catarina até o mosteiro de Vadstena, na Suécia, que se tornou o principal centro da ordem fundada por Brígida.

De santa sueca a co-padroeira da Europa

Brígida foi canonizada em 1391 pelo papa Bonifácio IX, 18 anos depois de sua morte. Além da atuação religiosa, sua história passou a representar a participação das mulheres na vida familiar, social e política da Europa medieval.

Em 1999, São João Paulo II declarou Santa Brígida co-padroeira da Europa. O título foi concedido também a Santa Catarina de Sena e Santa Teresa Benedita da Cruz, conhecida como Edith Stein.

A escolha levou em consideração sua trajetória por diferentes países, a defesa da unidade cristã e o trabalho pela reconciliação entre os povos.

Santa Brígida também é considerada padroeira da Suécia. A ordem religiosa ligada ao seu nome permanece presente em diferentes países e mantém iniciativas de oração, acolhimento e diálogo entre cristãos.

Oração para o santo de hoje 23/07

A oração abaixo é uma prece inspirada na história de Santa Brígida e pode ser feita individualmente ou em família:

Santa Brígida, que viveste a fé no cuidado com a família, no serviço aos necessitados e na busca pela paz, intercede por nós.

Ajuda-nos a agir com firmeza diante das dificuldades, a cuidar daqueles que precisam e a promover a reconciliação em nossa casa e em nossa comunidade.

Ensina-nos a confiar em Deus durante as mudanças da vida e a transformar nossa fé em gestos de amor e serviço.

Santa Brígida da Suécia, rogai por nós. Amém.



FONTE: Folha Vitória