A qualidade do ar na Grande Vitória foi classificada como boa em 93% das medições realizadas entre abril e junho deste ano, segundo dados do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).
Apesar do resultado geral positivo, algumas estações registraram índices mais elevados de partículas em suspensão, principalmente em locais próximos a obras e áreas com intensa movimentação de veículos.
Os dados foram apresentados pelo Iema durante uma reunião da Comissão de Proteção ao Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo. O colegiado acompanha periodicamente os indicadores para verificar o cumprimento dos padrões ambientais e cobrar medidas de controle da poluição.
De acordo com o analista de meio ambiente do Iema, Takahiko Hashimoto Júnior, o Índice de Qualidade do Ar (IQAr) classifica as condições atmosféricas em cinco categorias: boa, moderada, ruim, muito ruim e péssima.
No segundo trimestre, 93% das medições ficaram dentro dos padrões considerados bons pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Obras influenciaram medições
Embora o resultado geral tenha sido positivo, algumas estações apresentaram alterações pontuais, especialmente na concentração de material particulado.
A situação mais crítica foi registrada na estação localizada no Ibes, em Vila Velha, que apresentou classificação ruim para PM10. Trata-se de partículas com diâmetro de até 10 micrômetros, encontradas, por exemplo, na poeira de ruas, construções e áreas submetidas ao tráfego de veículos.

Segundo o Iema, a principal hipótese é que as obras realizadas na Avenida Carlos Lindenberg tenham contribuído para o aumento da concentração dessas partículas.
“Não temos como afirmar com 100% de certeza a causa, mas o cenário mais provável é que as obras tenham contribuído para o aumento das partículas em suspensão. Foi a única estação que registrou classificação ruim para PM10 e esse comportamento pode permanecer enquanto as intervenções continuarem”, explicou Takahiko.
Em Jardim Camburi, em Vitória, também foram identificados picos momentâneos nas medições. A estação fica próxima a uma Unidade de Saúde que passa por obras, o que pode ter interferido nos resultados.
Já em Cidade Continental, na Serra, a movimentação intensa de caminhões nas proximidades da estação é apontada como uma possível influência sobre as medições.
Apesar dessas ocorrências, o Iema informou que a qualidade do ar na Grande Vitória permaneceu, de maneira geral, dentro da faixa considerada boa no período analisado.
Pó preto não entra no índice
Um dos principais pontos de atenção no monitoramento ambiental da Grande Vitória é a chamada poeira sedimentável, conhecida popularmente como “pó preto”.
Esse tipo de material não faz parte do Índice de Qualidade do Ar porque ainda não existe um padrão nacional para sua classificação dentro do IQAr. No Espírito Santo, porém, há uma regra específica estabelecida por decreto estadual.
O limite para a poeira sedimentável foi recentemente reduzido de 14 para 10 gramas por metro quadrado em um período de 30 dias. A mudança tornou o parâmetro estadual mais rigoroso.
Como é feito o monitoramento
Atualmente, a Grande Vitória possui oito estações automáticas de monitoramento da qualidade do ar. Os equipamentos fazem medições em tempo real e permitem identificar alterações nas concentrações de poluentes ao longo do dia.
Além delas, existem 10 pontos da rede manual, utilizados para medir a poeira sedimentável. Nesse caso, a análise leva cerca de 60 dias para ser concluída.
A diferença entre os dois sistemas permite ao Iema acompanhar tanto alterações imediatas quanto a presença de partículas que se depositam no ambiente ao longo do tempo.
O Espírito Santo também recebe dados de outras estações de monitoramento. A Samarco mantém seis equipamentos em Anchieta e Guarapari. Há ainda uma estação administrada pela Eneva, em Linhares, e outra localizada em Viana.
A Comissão de Proteção ao Meio Ambiente informou que o acompanhamento trimestral dos indicadores busca verificar se os padrões ambientais estão sendo cumpridos.


