O município de Conceição da Barra, no Norte do Espírito Santo, oficializou o peixe Epinephelus itajara, popularmente conhecido como peixe mero do Brasil, como patrimônio natural e peixe-símbolo municipal.
A espécie marinha é considerada criticamente ameaçada de extinção, porém a cidade capixaba é reconhecido como o maior berçário do animal. Nos manguezais do município, mais de 300 filhotes já foram identificados desde 2014, a partir de pesquisas do Projeto Meros do Brasil, desenvolvido pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes).
O coordenador do projeto e professor da Ufes, Maurício Hostim, afirma que o peixe possui importância ambiental e cultural. “O mero representa muito mais que uma espécie marinha. É um símbolo da biodiversidade e do compromisso com a preservação dos oceanos”, destacou.
A medida de reconhecimento do peixe mero como patrimônio foi aprovada pela Câmara de Vereadores e contou também com a inauguração da Sala de Cultura Oceânica Meros, instalada no polo da Universidade Aberta do Brasil. O espaço é voltado à educação ambiental, à divulgação científica e à conscientização da população sobre a importância dos ecossistemas marinhos e costeiros.
O projeto é fruto de uma parceria entre o Projeto Meros do Brasil, a Ufes e a Prefeitura de Conceição da Barra, com foco na preservação da espécie e do ecossistema marinho.
“Cuidar do mero é também preservar um patrimônio natural do município e garantir que as próximas gerações tenham acesso a essa riqueza”, afirmou o prefeito de Conceição da Barra, Erivan Tavares.
Espécie pode chegar a 400 quilos
O peixe mero (Epinephelus itajara) pode atingir até 2,5 metros de comprimento e cerca de 400 quilos, sendo um dos maiores peixes recifais do Atlântico.
Devido à forte redução da população ao longo das últimas décadas, a pesca da espécie é proibida no Brasil como forma de evitar sua extinção.
Criado em 2008, o projeto Meros do Brasil atua em nove estados e 37 municípios, monitorando cerca de 1.500 quilômetros da costa brasileira. As pesquisas investigam genética, alimentação e deslocamento dos animais, além de desenvolver ações de educação ambiental com comunidades costeiras e pescadores.
De acordo com o biólogo e vice-presidente Conselho Regional de Biologia do ES (CRBio-10), Daniel Motta, os peixes meros só sobrevivem em locais com bons níveis de preservação ambiental. Além disso, existem alguns motivos para essa espécie estar ameaçado de extinsão, como: a poluição e degradação ambiental.
Os principais motivos são a poluição, a degradação dos ambientes marinhos e costeiros, e a pesca ilegal. A poluição de áreas estuarinas e a supressão de áreas de manguezal, ameaça principalmente as formas jovens. Já, a previsibilidade em tempo e lugar das agregações reprodutivas de meros pelos pescadores, aliadas à maturação tardia e longo período de vida, tornaram a espécie altamente suscetível à sobrepesca.
Daniel Motta, vice-presidente Conselho Regional de Biologia do ES
O biólogo também destaca que os peixes meros se reproduzem tardiamente, entre os 6 e 8 anos, dessa forma, para a proteção dos animais é preciso de mais de duas décadas de cuidados com a espécie.


