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Para o Brasil, e em especial para o Espírito Santo, o conflito no Golfo Pérsico se traduz em bônus e ônus, com possíveis desafios relacionados ao encarecimento da logística internacional e à volatilidade do câmbio. Esses impactos foram analisados pelo estudo da Apex Partners “Conflito no Irã: Impactos para o Brasil e Onças Brasileiras”.

Com a guerra, o choque no custo de transportar mercadorias ao redor do mundo não se restringe apenas a quem negocia com o Oriente Médio. Ele se espalha pelo sistema global de fretes, seguros marítimos e combustíveis navais, atingindo com força especial as economias mais expostas ao comércio exterior.

Segundo o levantamento da Apex Partners, com uma corrente de comércio (exportações mais importações) equivalente a 46% do PIB estadual, o Espírito Santo é o terceiro estado brasileiro com maior abertura comercial relativa, atrás apenas de Mato Grosso e Pará. Esse forte volume de comércio exterior, embora seja um dos pilares da economia capixaba, deixa o estado mais exposto aos eventos geopolíticos.

O encarecimento dos fretes marítimos e o aumento dos prêmios de seguro – reflexos diretos do bloqueio de Ormuz e dos ataques a embarcações no Golfo – pressionam tanto o custo de exportar minério, celulose e café quanto o de importar insumos industriais e componentes, por exemplo.

Paulo Baraona, presidente da Federação das Indústrias do Espirito Santo (Findes), analisa que “o conflito pode acarretar efeitos de aumento de custos sobre o frete internacional das diversas cargas que o Espírito Santo exporta, para além do nosso mercado importador. Estes custos repassados pelas companhias marítimas aos importadores e exportadores tendem a ser transferidos para os produtos que são comercializados”.

“Para as importações, isso significa insumos e produtos mais caros no mercado nacional. Já para as exportações, pode impactar na competitividade dos nossos produtos no mercado externo. Especificamente sobre as exportações, mesmo que os custos estejam mais elevados para todos, pode ocorrer redução da demanda por alguns mercados onde nossos produtos competem com o mercado interno destes países”, conclui Baraona.

O estudo ainda aponta as consequências da questão cambial. Conflitos geopolíticos de grande escala historicamente fortalecem o dólar como moeda de proteção, e desta vez não foi diferente. Com analistas projetando o dólar a R$ 5,55 ao final de 2026 (ante os R$ 5,30 já registrados na semana do ataque), o real se deprecia, encarecendo importações.

Para estados com grande volume de exportações em dólar, como o ES, esse movimento cambial pode compensar parte dos custos, desde que a demanda externa não seja reduzida pelo aperto econômico global.

O grupo das Onças Brasileiras (estados com melhores indicadores econômicos, sociais e institucionais do país: Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul) sente esses efeitos com maior intensidade do que a média do país em grande parte por sua vocação exportadora. A corrente de comércio (soma de exportações e importações) das Onças representa cerca de 34% do PIB, ante 26,5% para o Brasil como um todo. 



FONTE: Folha Vitória