Quem conhece de perto Carlo Ancelotti costuma dizer que ele é previsível. A afirmação não é uma crítica, mas um elogio: o treinador italiano não costuma inventar nas escalações nem apostar em táticas mirabolantes. Há, portanto, uma coerência.
Para enfrentar a Noruega, neste domingo, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, a previsibilidade de Ancelotti passa por manter a formação com três meias e três atacantes, embora esse não fosse o desenho ideal do treinador antes do início da competição. Só que, após conversar com os jogadores e fazer uma autocrítica da lista inicial de 26 convocados, na qual havia apenas cinco meias, houve o entendimento de que era preciso fortalecer o meio de campo, o que foi feito.
A preferência contra os noruegueses por Gabriel Martinelli para ocupar a vaga de Lucas Paquetá, machucado, segue essa lógica. Danilo Santos, do Botafogo, que seria uma opção até mais natural, tem um talento inquestionável, segundo análise interna, mas oferece menos obediência tática do que Martinelli. E Ancelotti quer que nove de seus dez jogadores de linha marquem muito nesta Copa do Mundo. A exceção é Vinícius Júnior, preservado defensivamente para receber a bola descansado. Foi assim contra o Japão, quando quase marcou um golaço.
Outro aspecto de Ancelotti tem chamado a atenção de quem acompanha o trabalho de perto: a tranquilidade. Uma imagem da vitória sobre o Japão viralizou e ilustra bem isso. Assim que Gabriel Martinelli marca o segundo gol, aos 50 minutos do segundo tempo, Carletto vira para o banco e faz o tradicional gesto de “calma, calma”, como quem dizia: “Não acabou”.
Na sequência, conversa com dois de seus auxiliares, que se dirigem ao campo para dar instruções. Não houve comemoração, mas a preocupação em evitar que se repetisse o que aconteceu nas quartas de final da Copa do Catar, em 2022, quando a Croácia empatou o jogo, na prorrogação, depois de o Brasil abrir o placar. O lance do gol croata é um trauma para alguns dos jogadores que estavam naquele time e é usado diversas vezes como exemplo nesta Copa do Mundo.
A escalação na estreia contra Marrocos, com várias mudanças, como a entrada de Igor Thiago como referência e de Ibañez na lateral direita, surpreendeu até pessoas próximas ao treinador, por ir contra a previsibilidade com que ele costuma trabalhar. Mas todos garantem que a especulação de que ele só avisa o time no dia do jogo não passa de bobagem: quem vai jogar sabe que vai jogar. O substituto de Paquetá, portanto, já deve ter recebido a notícia de que entrará em campo contra os noruegueses.


