No Espírito Santo, esposas, mães, filhas e companheiras de detentos criaram uma rede informal de acolhimento conhecida como “cunhadas”, formada por mulheres que encontraram apoio umas nas outras para enfrentar a rotina das visitas aos presídios.
A realidade envolve longas esperas, cumprimento de regras rígidas, deslocamentos frequentes e, segundo relatos das próprias familiares, o enfrentamento de preconceitos por manter vínculos com pessoas privadas de liberdade.
Antes mesmo de entrarem nas unidades prisionais, visitantes precisam cumprir uma série de exigências relacionadas à documentação, vestuário e procedimentos de segurança. Para muitas mulheres, compreender essas regras é um dos primeiros desafios após a prisão de um familiar.
Rede de apoio nasceu da necessidade de informação
Foi diante dessa dificuldade que surgiram iniciativas de orientação entre as próprias visitantes. A empreendedora Simone Guerra conta que precisou aprender sozinha como funcionava o sistema de visitas.
Essa rede de apoio nasceu de uma necessidade que eu tive no momento da minha visita, onde eu comecei a visitar e não sabia que tinha regras, padrão de cores, medidas.
Simone Guerra, empreendedora
Segundo Simone, encontrar informações confiáveis era um desafio. Ela afirma que precisou recorrer às redes sociais para entender o que era permitido ou proibido nas unidades prisionais.
A partir dessa experiência, ela passou a orientar outras mulheres que enfrentavam as mesmas dificuldades.
Dou apoio ao cliente do começo ao fim, porque eu sei o quanto isso é importante, o quanto elas precisam e o quanto ficam ansiosas aguardando a visita, com medo e insegurança.
Simone Guerra, empreendedora
Experiência compartilhada ajuda novas visitantes
A dona de casa Lilian Jéssika Ferreira Carvalho conheceu essa rede de apoio após a prisão do companheiro. Ela conta que enfrentou o período da gravidez e o nascimento da filha sem a presença dele.
Sem conhecer os procedimentos do sistema prisional, ela buscou orientação com outras visitantes.
Fui procurando saber, fui pesquisando, fui tendo amizade com as meninas e elas foram me auxiliando, foram me explicando como era.
Lilian Jéssika Ferreira Carvalho, dona de casa
Sistema prisional possui regras específicas para visitantes
Segundo a Secretaria da Justiça (Sejus), todos os visitantes precisam estar previamente cadastrados antes de ingressar em uma unidade prisional.
O subsecretário de Estado de Ressocialização, Eduardo Faria, explica que o processo envolve análise documental e cumprimento de requisitos estabelecidos pelo sistema penitenciário.
Atualmente, cerca de 60 mil pessoas estão cadastradas para participar de visitas sociais e íntimas nas unidades prisionais do Espírito Santo.
As visitas ocorrem, em regra, a cada 15 dias e seguem protocolos de segurança definidos pela administração penitenciária.
Entenda as regras sobre roupas nos presídios
Uma das principais dúvidas dos visitantes está relacionada às vestimentas permitidas durante o acesso às unidades.
Segundo Eduardo Faria, algumas cores são proibidas por questões de segurança e identificação dentro dos presídios.
As questões das cores são determinadas pelo tipo de regime, pois os presos de uma unidade de regime fechado usam uma cor, no semiaberto é outra. A orientação é de que essas cores não sejam usadas, bem como as cores usadas pelos servidores. Essas regras são para a segurança do visitante, da pessoa presa e dos servidores que trabalham nas unidades.
Eduardo Faria, subsecretário de Estado de Ressocialização
A Sejus disponibiliza informações atualizadas por meio de aplicativo oficial, que reúne orientações sobre cadastro, documentação exigida e regras para as visitas.
*Com informações da repórter Nathália Munhão, da TV Vitória/Record


