Um dos suspeitos presos durante a operação Efeito Colateral se apresentava como o maior foi apontado pela Polícia Civil do Espírito Santo como o principal distribuidor de canetas emagrecedoras no Estado, segundo o delegado Eduardo Passamani, titular da Delegacia Especializada de Defesa do Consumidor (DECON).
A operação deflagrada em Vila Velha e na Serra, na manhã desta quinta-feira (28), resultou na prisão de dois suspeitos e integra uma investigação que apura a entrada e a comercialização clandestina de medicamentos para emagrecimento sem autorização da Anvisa.
Ao todo, mais de 100 ampolas foram apreendidas, além de outros materiais ainda em análise.
Segundo Passamani, um dos presos afirmava comandar uma rede de distribuição do produto no Espírito Santo e dizia manter equipes responsáveis pela circulação e aplicação das substâncias.
Ele se apresentava como o maior distribuidor, ele dizia que tinha uma equipe. Ele falava que tinha equipes em farmácias, em unidades de saúde que faziam essas aplicações, mas tudo está sendo ainda objeto de investigação para a gente poder estar delimitando as responsabilidades.
Eduardo Passamani, delegado
Venda era feita pela internet
De acordo com as investigações, os produtos eram comercializados sem qualquer controle sanitário, o que, segundo a polícia, representa risco à saúde dos consumidores.
O esquema funcionava principalmente por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, com divulgação em grupos de WhatsApp, status e até comunidades virtuais, ampliando rapidamente a circulação dos produtos.
A Polícia Civil investiga se pessoas ligadas a farmácias e unidades de saúde teriam participação no esquema, seja na aplicação ou na revenda dos medicamentos.
Substâncias ainda em estudo e sem registro no Brasil
Outro ponto central da investigação é a origem dos medicamentos, como a retatrutida, que seriam trazidos do Paraguai e pertencem a uma nova geração de substâncias para emagrecimento ainda em fase de estudos em alguns países, sem liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil.
De acordo com Passamani, não há garantia sobre procedência ou segurança dos produtos. “São produtos que ainda não têm regulamentação, não só no Brasil, mas ainda estão até em fase de estudos. A gente não sabe o que isso pode causar”, destacou.
Possível venda em farmácias e clínicas é investigada
Segundo o delegado, a polícia não descarta a hipótese de que os medicamentos também tenham sido distribuídos em ambientes formais de saúde, como farmácias e unidades de atendimento, já que parte dos investigados possui vínculo com esses setores.
A possibilidade segue sob análise dentro da investigação, que busca mapear toda a cadeia de distribuição e identificar outros envolvidos no esquema.
Várias pessoas que foram objeto hoje da operação trabalhavam em unidades de saúde, tinham parentesco com pessoas de farmácia. Então, a gente não descarta que isso estivesse sendo comercializado em clínicas, de forma que é um produto perigoso. A gente não consegue identificar a origem.
Eduardo Passamani, delegado
O material apreendido segue em análise para detalhar a origem dos produtos e a atuação de cada investigado.
Anvisa reforça proibição da retatrutida no Brasil
A Anvisa mantém a retatrutida sem autorização para comercialização, distribuição, fabricação, importação, propaganda e uso em todo o território nacional.
A substância, que aparece entre os materiais apreendidos na operação Efeito Colateral, está incluída em ações de fiscalização que visam coibir o comércio ilegal de medicamentos voltados ao emagrecimento.
De acordo com a Anvisa, por meio de nota informativa publicada no Portal Gov.br, os lotes de canetas emagrecedoras com tirzepatida das marcas Synedica e TG estão proibidos e devem ser apreendidos pelas autoridades sanitárias. A medida foi estabelecida pela Resolução-RE nº 214, que reforça o bloqueio de circulação desses produtos no país.
A agência também destaca que a retatrutida segue em fase de estudos em diferentes países e não possui registro sanitário no Brasil, o que impede sua venda regular no mercado nacional.
*Texto sob supervisão do editor Leone Oliveira


