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Nacionalmente a indústria de transformação está se movimentando em direção ao Centro-Oeste, puxada pelo agronegócio. A participação do setor no PIB da região passou de 6,1% para 8,9% em 40 anos, considerando o período entre 1985 e 2023. Na direção inversa o Sudeste liderou perdas, com queda de 48% em participação, passando de 30,7% para 16,0%. Movimento seguido pelo Espírito Santo: de 21,7% para 11,2%. E no Brasil: de 26,8% para 15,2%.

Esses números foram mostrados em estudo desenvolvido pelo IEDI- Instituto de Desenvolvimento Industrial, da FGV, e objeto de matéria do jornal Valor de 12/05 sob o título “Centro-Oeste é grande vencedor da interiorização da indústria brasileira”.

A indústria de transformação sempre foi vista e tida como termômetro da capacidade de se gerar crescimento e desenvolvimento de países ou mesmo de regiões e estados. O que justifica o uso da palavra transformação como expressão do poder de transformar, em moto contínuo e processos produtivos crescentemente intensivos em conhecimentos e inovação, matérias primas e insumos em novos e cada vez mais sofisticados produtos. Carrega o significado de adensamento econômico, que implica em agregação de valor.

O fenômeno da redução da participação da indústria em geral e especificamente da indústria de transformação no PIB não é uma questão nova. Trata-se de uma tendência global, que em tese, não implica necessariamente em perda de potencial de dinamismo, que por variadas razões não cabe aqui discuti-las e avaliá-las. O certo é que no caso brasileiro parece extrapolar, e em excesso, essa tendência global. Assim, o movimento para o Centro-Oeste indicaria apenas tratar-se de   relocalização de oportunidades derivadas do agronegócio.

No caso do Espírito Santo, a leitura dos dados requer mais cuidados, dadas as especificidades. Isso em razão de um certo “gigantismo” relativo da indústria extrativa mineral. Esse setor, entre 2002 e 2023, tem oscilado sua participação no PIB, no conceito de Valor Adicionado, entre um máximo de 26,5% em 2012, e um mínimo de 6,1% em 2017, ano de crise do setor, especialmente com a parada da produção da Samarco. 

A maior participação da indústria de transformação no PIB capixaba no período em questão aconteceu em 2003, com o percentual de 20%. Que contrasta com a participação de apenas 7,5% da indústria extrativa mineral. 

A indústria extrativa mineral é representada sobretudo pelas atividades de extração de petróleo e produção de pelota de minério de ferro, cujas dimensões em suas operações contrasta com a relativamente pequena economia estadual, cuja participação nacional é de apenas 1,9%. Em 2025, por exemplo, somente a extração de petróleo respondeu por cerca de 10% do PIB. Naquele ano a participação da indústria de transformação no PIB foi de 10,5%. 

É comum, portanto, variações em preços, câmbio e produção dessas atividades provocarem movimentos significativos no valor bruto da produção e no valor adicionado e suas respectivas participação relativas.

Já a indústria de transformação está concentrada na siderurgia, metal mecânica, celulose, rochas e alimentos e bebidas, estas principalmente representadas na agroindústria, mas com destaque na transformação do café. É complementada por grande diversidade de médias e pequenas indústrias em vários outros segmentos. Mostra-se menos sensível aos movimentos das commodities, ao contrário da indústria extrativa.

Num olhar prospectivo e fundamentado em leitura mais atenta da evolução da indústria capixaba em geral nos leva a crer que a melhor estratégia de longo prazo é focar cadeias de valor em iniciativas que promovam o desenvolvimento da indústria de transformação. 

Portanto, mais do que em políticas industriais, de abrangência mais restrita, esta nova estratégia, mirando um ambiente mais amplo de conexões, um ecossistema que integra desde P&DI (pesquisa desenvolvimento e inovação), tecnologias, passando por infraestrutura, recursos humanos, serviços especializados, logística e o próprio ambiente de negócios. Bem numa lógica de cadeias de suprimentos, inclusive cross-border, e num sentido mais amplo e que pode contar com efeitos de transversalidades cumulativas. 

Essa nova perspectiva vai de encontro à estratégia de desenvolvimento da economia capixaba definida no Plano ES500, de diversificação, adensamento de cadeias de valor e incremento da complexidade econômica. 

Trata-se de um direcionamento que nos favorece em maior autonomia decisória e disponibilidade de instrumentos e recursos locais.



FONTE: Folha Vitória