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“Eu não posso mudar o mundo, mas eu balanço o mundo”. Com essa afirmação visceral e carregada de ancestralidade, a Dra. Marina Miranda abriu a série especial de Dia das Mulheres do PodNatureza.

Professora indígena da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e uma das vozes mais potentes da pesquisa acadêmica atual, Marina revela uma trajetória que rompe os muros da universidade para resgatar as raízes profundas do solo capixaba.

No primeiro episódio desta sequência dedicada às lideranças femininas na conservação, o apresentador Yhuri Cardoso Nóbrega conduz uma conversa que transita entre o rigor da ciência e o sagrado da natureza.

O despertar da “mulher-onça”

Nascida em Jaguaré na década de 60, em meio à abertura de estradas no Norte do Estado, Marina descreve sua infância como a de um legítimo “bicho do mato”. Filha de mãe indígena e pai negro, sua história é marcada pela resiliência: aos cinco anos, em um cenário de extrema vulnerabilidade, foi doada a uma família em Goiabeiras, Vitória.

Hoje, como professora indígena e doutora, ela utiliza a metáfora da onça — animal que dá nome à sua terra natal (significa “lugar das onças verdadeiras”) — para definir sua postura firme na defesa dos povos originários.

“Dentro da universidade eu sou uma onça. Eu vou falar as coisas que eu penso diretamente para o fortalecimento de identidades e culturas”, afirma Marina.

Educação contra o ecocídio

Para a pesquisadora, o título de doutora conquistado com “luta gigantesca” não a afasta de suas origens. Pelo contrário, ela utiliza sua autoridade para criticar o ensino “eurocentrado” e defender que a educação escolar indígena deve ser a base para qualquer discussão sobre o futuro do planeta.

Marina alerta para o ecocídio: a destruição sistemática do meio ambiente que afeta primeiro aqueles que estão na linha de frente. Segundo ela, os povos indígenas são os verdadeiros guardiões que “seguram” o impacto do aquecimento global.

Um legado que balança o mundo

No episódio, a mensagem de Marina Miranda é um chamado à ação. Ela defende que a universidade deve se abrir para os “mestres de saberes” — os anciões das aldeias — para que a ciência seja, de fato, integrada à vida.

Para a professora indígena, o futuro do Espírito Santo e do mundo depende de um retorno ao sensível. “Essas encantarias precisam perpassar os bancos da universidade”, conclui.

Lembrando que este é apenas um spoiler de um episódio rico de informações e muita cultura. Clique aqui para acessar o canal do Folha Vitória no YouTube e ver outros episódios do PodNatureza!



FONTE: Folha Vitória